« Voltar para página de notícias

“O mundo precisa comer, e temos o que há de mais nobre em nossas mãos”, afirma Ricardo Buonarott em um bate papo sobre custos da pecuária

“Para uma boa gestão da propriedade, o produtor deve ter um bom entendimento sobre o que deve ser considerado como despesas, investimentos e receitas”, Ricardo Buonarott – Pecuarista

Com o avanço das tecnologias fazer os cálculos porteira a dentro ficou mais fácil. Hoje alguns aplicativos facilitam a vida dos produtores e garantem um melhor conhecimento dos custos da fazenda.

Entretanto dentro do cenário pecuário ainda é possível encontrar produtores que resistem a essas facilidades e que não analisam de forma eficaz esses custos, o que muitas vezes interfere nas tomadas de decisões dentro do processo produtivo.

Para o pecuarista Ricardo Buonarott, ao ter em mãos as informações fica mais fácil definir as diretrizes da propriedade. “Se está na hora de investir mais em determinado ponto ou recuar em outro. Como exemplo, numa situação de crise, como a que passamos recentemente, os números podem nos ajudar a tomar uma direção”, ressalta.

Custos de produção – Dentro de uma propriedade podemos dividir os custos de produção em diretos, ou seja, aqueles gastos com salários, impostos, insumos, combustíveis/lubrificantes, manutenções de máquinas e benfeitorias, suplementações/medicamentos, depreciações, entre outros. E os indiretos, aqueles relativos à energia elétrica, telefone, internet, etc.

E não podemos esquecer dos investimentos, que são recursos aplicados e que vão perdurar por vários anos dentro da fazenda. Ao somar custeio e investimentos, temos o valor do custo de produção. “Aliados aos custos, também é necessário o levantamento da produtividade e perdas da fazenda para que haja uma gestão eficiente, gerando informações sobre a lucratividade, que no final é o que realmente importa”, lembra Buonarott.

Na hora da crise –  O cenário da pecuária brasileira já esteve melhor e nesse período de crise a palavra-chave é resiliência, ou seja, a capacidade de se adaptar às mudanças. De acordo com Ricardo, durante esse período crítico o que mais ouviu foi pecuaristas dizendo em parar com os investimentos e reduzir as despesas. “Muitas foram e ainda são as dúvidas sobre como agir nos momentos de crise. Particularmente, preferi manter a programação com alguns ajustes, porque aquela situação iria passar. Foi um momento difícil, mas na dificuldade de vender os animais paras as indústrias abarrotadas seria sensato vender apenas o necessário para pagar as contas mais urgentes. Evitando assim, uma queda mais drástica nos preços”, explica.

Buonarott aponta outras medidas que deram certo. “A venda de novilhas, vacas e bois de qualidade inferior, e outras categorias de animais também fizeram parte das medidas tomadas nos dias turbulentos. Preservando os melhores animais para quando a “fonte secasse”. Felizmente a situação de crise extrema de preços durou pouco. E apesar de uma certa instabilidade que ainda nos rodeia, acredito estarmos passando pra uma fase mais animadora”.

Futuro – Não podemos fechar a porteira e abrir só em 2018. É preciso evoluir, ter na palma das mãos os custos da fazenda e assim se preparar uma possível reestruturação e adequação na cadeia da carne. “Como produtor e técnico sempre tento evoluir a cada dia, mas sempre percebo que cabe alguma melhoria, seja em produtividade, praticidade e lucratividade. Hoje a empresa pecuária, como deveria ser chamada uma fazenda produtora de gado, deve estar “antenada” nas inovações tecnológicas que se adequem ao seu sistema produtivo, fazer seus investimentos e despesas de forma planejada, sempre focando em uma meta pré-estabelecida, e procurar reduzir custos de forma inteligente que não afetem a produção e retorno financeiro”, destaca o pecuarista.

“O mundo precisa comer, e temos o que há de mais nobre em nossas mãos. O consumidor está cada vez mais exigente, seja em qualidade, segurança alimentar, respeito à natureza e aos animais. Por tudo isso, acredito que tudo que buscamos com relação à carne que produzimos terá seu valor reconhecido e um comércio sólido e lucrativo para todo o segmento”, finaliza Ricardo.

*Instalações da Fazenda Alvorada / Ribas do Rio Pardo 

*Fotos: Ricardo Buonarott

 

 

COTAÇÕES
  • BOI R$136,23
  • VACA R$ 125,99
  • SOJA R$ 71,50
  • MILHO R$ 31,65
  • Referentes ao dia : 19/10/17
    Campo Grande Cotação da @ à vista

INFORMATIVO
CANAL DO PRODUTOR




PARCEIROS