NOTÍCIASBoas Práticas Agropecuárias19.01.2012 • 11h15 | por Cristiane Nantes Sandim
Boas Práticas Agropecuárias Capacitação avança nas propriedades associadas a Novilho Precoce MS Seguindo a premissa de que o princípio de uma boa gestão se resume em programas de conscientização de produtores e de capacitação de seus funcionários, o Programa de Boas Práticas Agropecuárias - Bovinos de Corte (BPA), desenvolvido pela Embrapa, vem ampliando sua atuação em Mato Grosso do Sul e já capacitou 52 funcionários de 15 propriedades associadas a Novilho Precoce MS nos últimos meses de 2011. Além da qualidade de seus produtos, do volume e regularidade de entrega tem também como foco se diferenciar no mercado pela comprovação de que os sistemas produtivos de seus associados sejam sustentáveis, ou seja, ambientalmente corretos, socialmente justos e economicamente viáveis. Para tal, o Programa BPA se encaixa perfeitamente com os objetivos da Associação, como ressalta o Diretor de Sustentabilidade, Ezequiel Rodrigues do Valle. “Hoje, temos mais de 90 propriedades de associados que se inscreveram no Programa, das quais 24 já foram vistoriadas e estão em processo de adequação ao BPA, entre as quais estão com seus colaboradores participando da capacitação”, explica o Diretor se referindo aos 52 funcionários das 15 propriedades Convém também ressaltar que as parcerias estabelecidas pela Novilho Precoce MS para auxiliar na capacitação dos produtores e respectivos funcionários tem sido de extrema importância na velocidade de implantação das BPA nas prioridades dos associados. “O foco inicial do programa é demonstrar que essas adequações são de extrema importância para garantir a viabilidade econômica, ambiental e social dessas propriedades de modo a diferenciá-las dos demais sistemas produtivos. Por isso denominamos de ganhos ‘dentro da porteira’. Este é o primeiro passo para a certificação, a qual só ocorrerá quando os produtores visualizarem os ‘ganhos fora da porteira’, mediante o estabelecimento de alianças mercadológicas”, acrescenta Ezequiel do Valle ao detalhar os benefícios do Programa. O veterinário e supervisor técnico da Novilho Precoce MS, Klauss Marchareth, que vem acompanhando pessoalmente todo o processo, explica que o cronograma dos cursos é realizado de acordo com a disponibilidade dos associados e das empresas parceiras, com datas pré agendadas e acordadas por ambas as partes. Posterior ao curso a Embrapa emite um laudo classificando a fazenda em ouro, prata ou bronze. A iniciativa conta com a parceria de importantes empresas do setor, sendo que os cursos são realizados sem nenhum custo para as fazendas e seus funcionários. Foi através das experiências geradas ao longo dos quase cinco anos de existência do Projeto Doutor do Campo que em julho deste ano a Macal Nutrição Animal firmou uma parceria junto à Novilho Precoce MS com o objetivo de implantar o programa de Boas Práticas Agropecuárias nas fazendas dos associados. “Nossos trabalhos estão relacionados ao Manejo Correto da Suplementação Nutricional, onde identificamos os pontos a serem adequados ao manual das Boas Práticas Agropecuárias. As experiências que tivemos juntos aos associados e seus funcionários foram bastante positivas, pois é nítida a busca pela melhoria contínua dentro das propriedades, o que reforça a competitividade do mercado da carne produzida no Mato Grosso do Sul no que diz respeito à qualidade”, enfatiza o Coordenador de Suporte e Desenvolvimento Técnico da empresa, Renan Forti. Trabalhando com extensão rural há mais de seis anos, a Merial Saúde Animal é outra importante parceira neste processo e acredita nas mudanças que são vistas no campo após estes treinamentos. “Além dos funcionários se sentirem valorizados, o aprendizado é muito grande, são pessoas carentes de informações e que com o método correto de ensino assimilam muito bem o conteúdo. Precisamos sempre estar realizando treinamentos para que os funcionários tenham um estimulo constante e continuem sempre aprendendo”, ressalta o Coordenador da Merial, Cesar Franzon, e acrescenta: “O BPA esta qualificando o homem do campo, instrumentalizando assim a produção pecuária, abrindo novos mercados e divulgando a qualidade da carne produzida no Brasil”.
Acompanhe a seguir um bate papo com alguns associados e seus funcionários:
Wendel de Souza – Gestor Grupo Atallah Acreditamos no projeto pelas pessoas envolvidas, pelo apoio, e por querer implantar um diferencial em nossas propriedades, a fim de assegurar que estamos produzindo de uma maneira correta, respeitando todos os itens que constam no BPA, acreditando que isso possa contribuir para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Nossos colaboradores já enxergam melhoras e que o projeto é sério, e em curto prazo podem beneficiá-los, tanto com conhecimento, como financeiro, pois podem nascer programas de incentivo baseado nos indicadores que nascem a partir do BPA. Aliás, as expectativas estão sendo alcançadas, já tivemos melhora no manejo e housekeeping. Foi mesmo uma experiência muito significante, pois estamos verificando itens que podem ser melhorados para atingirmos a excelência, sem contar que este projeto pode virar um selo de qualidade no futuro, onde possamos ter um diferencial e conseguir melhores resultados para nossas propriedades. O BPA está sendo implantado no momento que julgamos necessário, pois acreditamos que as pessoas precisam estar preparadas para nos ajudar na implantação e manutenção do Programa, pois sem o empenho da ponta não poderíamos obter resultados satisfatórios.
Eduardo Coelho – Fazenda Rio da Prata / Jardim Temos o principio de melhoria continua nas atividades, e isto só é possível através de capacitações da equipe. Participar da capacitação foi uma experiência muito boa. Mesmo já tendo um bom manejo o curso nos permitiu melhorar a organização da fazenda assim como nos ajudou a continuar evoluindo. A equipe da fazenda é grande parceira de todo esse processo que abraçamos e todos colaboram, sem resistências. A equipe técnica da Novilho Precoce MS é muito preparada para lidar com os nossos funcionários da fazenda. Temos um programa de capacitação em parceria com a Macal que foi iniciado após o primeiro curso que o veterinário e supervisor técnico da Novilho Precoce MS, Klauss Marchareth, levou para acertar inconformidades no BPA.
Jussara Negrão - Fazenda Cedron / Anastácio Sempre trabalhei em função de boas rotinas. Após a implantação do BPA estas decisões só evoluíram. Contudo, mudanças para ocorrerem, a melhor estratégia é a de adotar qualidade e eficiência, só assim conseguimos sucesso no sistema de produção. Estou na administração da Cedron há 11 anos e sempre procurei ser empregadora justa, preservar o meio ambiente, como exemplo: muito antes da lei exigir que a reserva legal fosse isolada do uso do gado, eu já estava com esta pratica. Acho de suma importância trabalhar em total harmonia com o meio ambiente. A maior dificuldade na implantação foi conscientização da mão de obra, tirar hábitos que às vezes são passados de pai para filho e ainda a alta rotatividade dos funcionários. Os benefícios foi que aumentamos nossa produção e melhoramos nossos índices econômicos, com praticas de boa conduta. Utilizamos recursos que proporcionaram a redução de custos e perdas, resultantes de falhas na execução dos manejos dentro da fazenda. Estamos sempre procurando reciclar, e aprender boas rotinas de manejo. Já tivemos outros cursos aplicados pelo Senar, Sindicato Rural local e pela Tortuga. O BPA só da certo se tivermos vontade de mudar e entender que todo processo dependem da interação entre as pessoas e os bovinos. Devemos trabalhar com eficiência, oferecer cada vez mais qualidade e mostrar o lado sustentável da carne bovina brasileira.
Marcio – Funcionário Faz. Boa Esperança / Anastácio Depois do curso de suplementação, mudamos muito o jeito de salgar os cochos e cuidamos melhor do estoque. Não temos mais grito no mangueiro e usamos a bandeira com mais frequência. Na vacinação deste ano, estamos fazendo toda ela na guilhotina, ao invés de fazer no brete. Todos os animais são imobilizados e faz-se a vacina puxando o couro da tábua do pescoço. Ainda limpamos as seringas e trocamos as agulhas com muito mais frequência. Nunca tinha participado de nenhum curso. Acho importante que possamos fazer o curso da doma racional.
Miguel Murinigo Gauna – Funcionário Faz. Natal / Bandeirantes Meu patrão é muito prestativo. Ele quer ver a gente crescer. Esse é o meu segundo curso no período de seis meses que estou na fazenda. Sempre aprendo coisas novas e que podem auxiliar o meu trabalho. Hoje eu aprendi os modos corretos do bem estar animal, como aplicar vacinas, o uso de bandeiras. Trabalho desde os 12 anos. Antigamente as coisas eram mais brutas. Eu era um cara muito ansioso, queria fazer o serviço ligeiro. Agora, com 23 anos, aprendi a fazer o serviço de vagar e bem feito. Algumas coisas eu até já sabia, mas não fazia direito e estressava os animais. Toda oportunidade ajuda, é uma melhora muito grande pra gente.
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Campo Grande.MS 17/05/2012 Cotação da @ à vista.
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