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Importância de sombras nas pastagens

19.11.2010 • 09h32 | por

Faça sol ou chuva, frio ou calor a existência de sombra nas pastagens é de grande importância para o bem estar dos animais, seja para proteção contra o sol forte ou como abrigo para dias chuvosos entre outros fatores que, consequentemente irá resultar no bom desempenho dos bovinos criados em pastagens.

Experiências mostram que, num dia de insolação intensa, uma vaca absorve calor suficiente para ferver 100 litros de água. Calor demais é péssimo para o animal, o apetite cai e a produção diminui prejudicada pelo funcionamento reduzido da Tireóide e pelo dispêndio de energia aplicada na transpiração e na respiração intensificadas. Além disso, o alimento para ser digerido pelo organismo, há uma produção de calor resultante do processo metabólico. No entanto, o decréscimo produtivo sob altas temperaturas pode ser facilmente evitado se o animal, no pasto, dispuser de sombra, além de água fresca e de alimento. É o que comprovam diversos experimentos desenvolvidos no Brasil e no exterior. No Havaí, por exemplo, foi possível aumentar em 21,5 % o rendimento de um rebanho de vacas leiteiras holandesas, com o manejo de sombra na pastagem. No Paraná, um controle leiteiro de 7000 vacas holandesas PO, registrou uma elevação de 4500 para 5200 kg/vaca/ano na produção de leite.

Os bovinos possuem glândulas sudoríparas que servem para a regulação da temperatura em ambientes quentes. Os zebuínos dispõe do dobro de glândulas/cm², porém os taurinos compensam pelo aumento da freqüência respiratória através da evapotranspiração. Outros mecanismos são utilizados pelos bovinos, a fim de regular a temperatura do corpo.

Na sensação de frio ocorre vaso constrição e ereção dos pêlos, que leva a uma circulação mais lenta, o organismo não requer água resultando em micção aumentada. Já na sensação de calor ocorre vaso dilatação superficial, que acelera a circulação aumentando o ritmo respiratório, provocando a eliminação de água pelos pulmões e pele, consequentemente aumentando a ingestão de água. Em temperaturas muito elevadas, o apetite é diminuído pelo aumento da produção de calor endógeno que refletirá nas atividades morfológicas, fisiológicas e produtivas.

BENEFICIOS PROPORCIONADO PELA SOMBRA NAS PASTAGENS.

Nos dias de intenso calor, nas horas mais quentes, os animais procuram reduzir os efeitos da radiação solar e altas temperaturas do ar, abrigando-se na sombra das árvores. Aproveitam tais períodos para descansar, ruminar, ou mesmo pastejar, desde que nesses locais haja disponibilidade de forragem.

• A falta de opção por abrigos naturais dentro das pastagens provoca, em momentos de tempestade, o agrupamento dos animais ao longo das cercas de arame (a procura de proteção), submetendo-se aos riscos de morte devido à queda de raio.

• A presença de árvores também atende à necessidade do animal de se roçar em troncos e galhos, uma atividade normal e útil no controle de ectoparasitos.

• Não menos importante é o aspecto nutricional, onde os ruminantes podem consumir folhas verdes (banco de proteína) principalmente na época seca.

• Ao contrário do que muitos pecuaristas pensam, arborizar um pasto traz grandes benefícios, como a melhora da fertilidade do solo e conseqüentemente da qualidade do capim, ajuda também a conter a erosão e proteger nascentes de água. As arvores são capazes de aproveitar nutrientes que estão em camadas do solo fora do alcance das raízes das forrageiras e colocá-los à disposição dessas plantas quando as folhas, galhos secos, flores e frutos caem no chão alem de fixar nitrogênio atmosférico no solo se esta for uma leguminosa. Funciona, assim, como adubo natural.

• O equilíbrio ecológico é bastante favorecido pela manutenção de matas ou bosques, já que sua remoção provoca a morte ou fuga de inimigos naturais de diferentes pragas das pastagens, resultando no aumento da população de insetos daninhos. O problema causado pelas cigarrinhas é um exemplo típico da quebra do equilíbrio biológico causado pela remoção excessiva da vegetação natural, quando da implantação das pastagens.

• A obtenção de madeira para uso na fazenda diminui os custos das cercas ou pode servir para venda da madeira, assim aumentando a fonte de renda da propriedade.

DICAS:

• Para quem não dispõe de bosques no pasto, a solução é criá-los, por meio de plantio, tendo o cuidado de escolher variedades com as características mais indicadas. E, em cada região, deve-se dar preferência às de melhor adaptação.

• Quanto à freqüência e distribuição o ideal é a presença de quatro árvores por hectare sendo que deve-se respeitar a distância adequadas de saleiros, benfeitorias e cercas.

• A colocação de pára-raios pode evitar alguns transtornos e possíveis percas, sejam elas com animais, cercas ou com as próprias arvores.

• Há algumas forrageiras tolerantes ao sombreamento. As gramíneas tropicais Brachiaria decumbens, Brachiaria brizantha e cultivares de Panicum maximum estão entre as que se desenvolvem bem em pastos sombreados. É claro que o sombreamento deve ser apenas moderado, de modo que garanta certo grau de luminosidade para o capim.

CARACTERÍSTICAS IDEAIS DAS ÁRVORES PARA SOMBREAMENTO


a) Copa frondosa e alta: - mínimo de 3 metros, superfície de sombra mínima de 20m² e copa alta para diminuir a incidência de Bernes.

b) Folhas persistentes em todas as estações do ano;

c) Não possuir raízes que afloram a superfície;

d) Não produzir frutos grandes;

e) Não possuir princípios tóxicos;

f) Bom desenvolvimento vegetativo: mínimo de 0,5m / ano;

g) Ser rústica e resistente à seca e ao frio;

h) Fácil obtenção de mudas e adaptadas à região.
 
ALGUMAS ESPÉCIES DE ARVORES INDICADAS PARA DIFERENTES REGIÕES.

I - Região Sul

a) Grevílea: (Grevillea robusta): desenvolvimento rápido, 8-10metros em 10 anos. Resistente ao frio. Quebra-vento e sombreamento de cafezais. Final do ano, flor de cor alaranjada.

b) Suinã-do-Mato (Erithirina falcata): porte alto, propaga-se por meio de estacas e sementes. Resistente ao frio e á seca.

c) Ligustro (Ligustrum lucidum): florzinhas de cor palha, frutos não comestíveis arrocheados e propaga-se por meio de sementes.

d) Canela Amarela (Nectandra spp): mesma característica das anteriores e propaga-se por meio de semeadura e dá madeira de lei.

e) Açoita-Cavalo (Luhea divaricata): resistente ao frio e à seca, sua madeira é usada na fabricação de instrumentos musicais e cabos de ferramenta.

f) Eucalipto: (Eucalyptus sp): sementes, copa alta, quebra-ventos, mourão de cercas.
g) Angico Vermelho (Piptadenia rigida): nativa da Zona da Mata de Minas Gerais, sementes, madeira é considerada nobre.

h) Ingá (Inga sp): excelente sombreamento, frutos polpudos que são aproveitados na alimentação animal e humana.

II - Região Centro-Sul e Centro-Oeste:

a) Canela Sassafrás (Ocotea pretiosa): resistente ao frio e á seca, projeta até 10 metros de sombra.

b) Gameleira (Ficus sp): cresce em todo o Brasil, copa ultrapassa 10m.

c) Copaíba (Copaifera langsdorffi): frutos comestíveis para o homem e os animais e dela se extrai o óleo de copaíba, de uso medicinal.

d) Sapucaia (Lecytis pisonis): resistente ao frio e à seca.

e) Mangueira (Mangifera sp): muito usada nas pastagens no Sul de Minas, principalmente a variedade que produz a manga Ubá. Esta manga tem a vantagem de ser pequena, pois frutos maiores que 5 cm engasgam os animais.

f) Mulungu (Erythrynas sp): frutos carnudos para alimentação humana e animal.

g) Sete Cascas ou Corticeira (Ptecolobium inopinatus): muito difundida em toda a região dos cerrados, tem frutos e vagens comestíveis. A cortiça que envolve o caule impede a transpiração da planta, fazendo-a reter água para aproveitamento durante a seca.

III - Região Norte e Nordeste

a) Jurema Preta (Piptadenia moniliformis): chega a até 2 metros em cerca de um ano e meio. Suas folhas são boas para o gado.

b) Juazeiro (Zizyphus sp): semelhante à jurema.

c) Algaroba (Prosopis sp): resistente à seca, não ultrapassa os 5 metros de altura e produz vagens comestíveis para os animais.

d)Unha-De-Vaca (Bauninia): quando próxima da umidade, flora o ano todo; caso contrário, só durante as águas. Não ultrapassa os 6 metros de altura e tem folhagem comestível.

CONCLUSÃO:

Para obter índices produtivos satisfatórios, devem-se levar em consideração todos os fatores envolvidos na produção, seja ele nutricional, sanitário ou de bem estar dos animais, sendo que neste caso, o de sombra nas pastagens, pode auxiliar em todos os sentidos da produção e do meio ambiente.

LITERATURA CONSULTADA:

- Apostila de Forragicultura da Universidade Estadual de Londrina; José Moura Filho.
- Agrotora.com.br
- Sociedade Nacional da Agricultura – SNA; Ronaldo de Oliveira Encarnaçã e Wilson Werner Koller
- Revista Globo Rural 168.

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